Um dos elementos-chave por trás de impacto da gripe espanhola é que ela parece ter sido mais grave quando infectava adultos jovens e saudáveis, enquanto outras formas da doença tendem a produzir mortes de bebês, idosos e pessoas com sistema imune mais debilitado.
Há boas razões para acreditar que parte dessa violência contra jovens saudáveis tem relação com a chamada tempestade de citocinas, uma reação descontrolada do sistema imune à presença do invasor. Fragilizados pelo vírus, os pulmões dos doentes também podiam sucumbir a infecções bacterianas, e há ainda relatos da época que falam em hemorragias no nariz, nos ouvidos e no sistema digestivo.
O avanço devastador do vírus (um tipo de influenza A H1N1, tal como o da gripe de 2009) foi facilitado pela falta quase total de imunidade natural das populações do planeta e pelo confinamento de jovens em quartéis e campos de batalha durante a Primeira Guerra, uma população aglomerada e sem anticorpos era um campo fértil para a doença.
A comparação de outras epidemias com a pandemia da Covid-19, porém, precisa ser feita com cautela. Se ainda hoje ocorre a subnotificação nos casos do novo coronavírus, os dados de doenças do passado eram ainda menos confiáveis.
PESTE DE ATENAS, 429 A.C.
Talvez uma forma de tifo, a peste teria levado à morte de cerca de 100 mil pessoas
PESTE DE JUSTINIANO (PROVAVELMENTE PESTE BUBÔNICA), 541 D.C.
Teria matado ao redor de 50 milhões de pessoas (40% da população da bacia do Mediterrâneo)
PESTE NEGRA, 1346
Cerca de 200 milhões de pessoas foram dizimadas na Europa, na Ásia e no norte da África
DOENÇAS INFECCIOSAS EM 1492
Colombo chega às Américas; doenças trazidas pelos europeus podem ter eliminado 90% ou mais da população indígena original
GRANDE PRAGA DE LONDRES, 1665
Estimativas apontam que ela deixou ao redor de 100 mil mortos na capital inglesa
PRIMEIRA PANDEMIA DE CÓLERA, 1817
Espalha-se da Índia para países asiáticos, africanos e para a bacia do Mediterrâneo, matando centenas de milhares de pessoas
GRIPE ESPANHOLA, 1918
Pode ter matado cerca de 75 milhões de pessoas no mundo todo
AIDS, DOS ANOS 1960 AO PRESENTE
Doença se espalha pelo mundo, matando cerca de 30 milhões de pessoas ao longo de várias décadas
H1N1, 2009
Vírus H1N1, da gripe, mata ao redor de 18 mil pessoas na pandemia de 2009 a 2010. Esse número, porém, é referente aos casos confirmados por exame. Estimativas do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), dos EUA, apontam entre 151 mil e 575 mil mortes
EBOLA, 2013-2016
Ebola leva à morte de mais de 11 mil pessoas na África Ocidental
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